AC Milan e Inter Milan compram San Siro por €197 milhões e planejam nova arena para 2030

dez 15, 2025

AC Milan e Inter Milan compram San Siro por €197 milhões e planejam nova arena para 2030

AC Milan e Inter Milan compram San Siro por €197 milhões e planejam nova arena para 2030

Na tarde de quarta-feira, 5 de novembro de 2025, AC Milan e FC Internazionale Milano finalizaram a compra do San Siro — o estádio que abriga o Derby della Madonnina desde 1947 — por exatos €197 milhões. O acordo, assinado às 15h UTC, ocorreu quatro dias antes do prazo crítico de 10 de novembro, quando a segunda arquibancada do estádio, construída exatamente 70 anos antes, ganharia proteção histórica e tornaria sua demolição legalmente inviável. A transação, aprovada pela prefeitura de Milão em setembro, encerra quase um século de propriedade municipal — entre 77 e 90 anos, segundo fontes divergentes — e abre caminho para o que pode ser o projeto mais ambicioso da história do futebol italiano moderno.

Um novo estádio, uma nova era

Com a posse formalizada, os dois clubes agora controlam não apenas o estádio, mas também os terrenos circundantes, num total de mais de 3 milhões de pés quadrados. A propriedade foi adquirida por meio de uma nova empresa, Stadio San Siro S.p.A., financiada por Goldman Sachs e J.P. Morgan, com apoio dos bancos italianos Banco BPM e BPER Banca. O primeiro pagamento — cerca de €73 milhões — já foi feito, e o restante será quitado em parcelas nos próximos anos.

A ideia é demoler quase todo o San Siro — inaugurado em 1926 e usado por ambos os clubes desde então — mas preservar uma seção da arquibancada superior, considerada patrimônio. No lugar, surgirá um estádio moderno de 71.500 lugares, projetado pela renomada Foster + Partners em parceria com MANICA Architecture. O novo complexo terá teto fixo, duas arquibancadas (em vez de três) e formato oval, inspirado em arenas como o Allegiant Stadium, em Las Vegas, e o Chase Center, em São Francisco — ambos projetados por MANICA.

Além do futebol: uma transformação urbana

Este não é apenas um projeto de estádio. É um plano de regeneração urbana. A área ao redor do novo estádio receberá parques, hotéis, escritórios, lojas e estacionamentos cobertos. A prefeitura de Milão vê na operação uma chance de revitalizar um bairro que, apesar de sua importância histórica, sofre com infraestrutura obsoleta desde os anos 1990 — a última grande reforma ocorreu para a Copa do Mundo de 1990. "É um novo capítulo para a cidade e para os dois clubes", afirmou o comunicado conjunto de AC Milan e Inter, destacando que o novo complexo será "um ícone arquitetônico" e um "centro de excelência esportiva e cultural".

Os donos dos clubes — RedBird Capital Partners, com sede em Nova York, e os fundos geridos por Oaktree Capital Management, em Los Angeles — não veem isso como um gasto, mas como um investimento de longo prazo. A nova arena deve aumentar a receita com ingressos, patrocínios, eventos e turismo. Ainda mais importante: ela garante que os dois clubes possam competir com os grandes da Europa, cujos estádios modernos já geram bilhões em receita anual.

Prazo apertado, mas viável

A meta é abrir o novo estádio até o início da temporada 2030-31. Se houver atrasos, o prazo final é 2032 — ano em que a Itália sediará a Euro 2032. A data é crucial. A UEFA exige que os estádios que sediarem jogos da Eurocopa estejam em conformidade com padrões rigorosos de segurança, acessibilidade e conforto — e o San Siro atual, com seus 99 anos, não atende mais. "É uma questão de sobrevivência competitiva", disse um executivo da Inter, em conversa anônima.

Curiosamente, o estádio antigo ainda terá um papel importante. Ele sediará a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 em Milão-Cortina, em fevereiro do próximo ano. Isso significa que, por mais que os torcedores já sonhem com o novo estádio, o San Siro clássico ainda terá um último grande momento — antes de ser substituído.

Controvérsia e investigação

Controvérsia e investigação

Nem tudo é perfeito. O Ministério Público de Milão abriu uma investigação sobre possíveis irregularidades no processo de licitação. Um grupo concorrente alegou que não teve tempo suficiente para apresentar uma proposta, e que a prefeitura teria favorecido os clubes desde o início. Mas fontes próximas ao processo dizem que o caso é frágil — e que a compra não será bloqueada. "É um protesto tardio", comentou um advogado especializado em direito esportivo. "O processo foi transparente, com múltiplas audiências públicas. O valor foi justo."

Por que isso importa para o futebol italiano

O San Siro é mais que um estádio. É um símbolo. Um lugar onde Pelé marcou, Baggio chorou, Maldini se aposentou, Ronaldo e Ibrahimović fizeram histórias. Mas, nos últimos 30 anos, o futebol mudou. Os clubes precisam de receitas modernas, de experiências premium, de espaços que atraem não só torcedores, mas empresas, turistas e investidores. O San Siro, com seus corredores apertados, banheiros antigos e sem acesso adequado para deficientes, já não serve mais.

Este é o primeiro grande passo do futebol italiano rumo à modernização. Enquanto outros clubes, como a Juventus e a Roma, já têm novos estádios, AC Milan e Inter são os últimos grandes a entrarem nessa corrida. E agora, com o dinheiro de fundos americanos e o apoio da prefeitura, eles não só estão no jogo — estão liderando.

O que vem a seguir

O que vem a seguir

Os planos de construção devem ser apresentados oficialmente até abril de 2026. A licitação das obras será aberta no segundo semestre. Se tudo correr como previsto, a demolição começará em 2027, e os primeiros pilares do novo estádio serão erguidos em 2028. Enquanto isso, os torcedores continuarão a lotar o San Siro — não só para os clássicos, mas também para a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno. Depois disso, o estádio entrará em sua última fase: a despedida.

Frequently Asked Questions

Como será o novo estádio do San Siro?

O novo estádio terá 71.500 lugares, teto fixo, duas arquibancadas (em vez de três) e formato oval, projetado por Foster + Partners e MANICA Architecture. A estrutura será mais moderna, com melhores acessos, áreas premium, Wi-Fi de alta velocidade e espaços comerciais integrados. Apenas uma seção da arquibancada superior será preservada como homenagem histórica.

Quem financia a compra e a construção?

A compra foi financiada por Goldman Sachs e J.P. Morgan, com apoio dos bancos italianos Banco BPM e BPER Banca. Os clubes já pagaram €73 milhões de entrada. O restante do valor — cerca de €124 milhões — será quitado em parcelas. A construção será custeada por receitas futuras do estádio, patrocínios e investimentos da propriedade dos clubes, RedBird e Oaktree.

Por que o prazo de 10 de novembro era tão importante?

A segunda arquibancada do San Siro foi concluída em 10 de novembro de 1955. Se a compra não fosse finalizada antes de 10 de novembro de 2025, essa parte do estádio teria se tornado patrimônio histórico, impedindo legalmente sua demolição. A decisão dos clubes de fechar o negócio quatro dias antes foi uma manobra estratégica para evitar burocracias que poderiam travar o projeto por décadas.

O que acontecerá com o San Siro após a construção da nova arena?

A estrutura principal será demolido, exceto por uma seção preservada da arquibancada superior, que será integrada ao novo complexo como um memorial. O restante do terreno será transformado em espaços públicos, comerciais e de lazer. O novo estádio será o único local onde AC Milan e Inter jogarão, encerrando 78 anos de compartilhamento do velho San Siro.

O que significa isso para os torcedores?

Para os torcedores, isso significa uma experiência muito mais moderna: assentos mais confortáveis, acesso rápido, mais opções de comida e bebida, e uma atmosfera mais imersiva. Mas também significa perder um lugar caro ao coração — um estádio com alma, cheio de memórias. O novo San Siro será funcional e lucrativo, mas talvez não tenha o mesmo charme do velho e batido estádio.

O processo de licitação foi justo?

O Ministério Público de Milão investiga uma queixa de um grupo que alega não ter tido tempo para apresentar proposta. Mas especialistas dizem que o processo foi público, com editais publicados e audiências realizadas. A compra foi feita por um consórcio já estabelecido entre os clubes, e o valor de €197 milhões está dentro da média de transações semelhantes na Europa. A investigação é formal, mas não deve impedir o andamento do projeto.

18 Comentários

Rodrigo Eduardo
Rodrigo Eduardo
dezembro 16, 2025

Finalmente algo que faz sentido no futebol italiano

Luiz André Dos Santo Gomes
Luiz André Dos Santo Gomes
dezembro 17, 2025

Mano... esse San Siro tá mais velho que meu avô e ainda tá sendo usado como se fosse um iPhone 4. A gente vive no século 21 e os estádios ainda são da era do disco rígido de 500GB. Agora eles vão botar um teto fixo, Wi-Fi de alta velocidade e até espaço pra comer um bom pastel sem morrer espremido? Isso aqui não é só um estádio, é um novo nascimento pra cidade. O velho San Siro vai virar museu, tipo a Mona Lisa, mas agora com mais conforto e menos dor no quadril. E olha, se o dinheiro vem dos EUA, melhor ainda, porque a gente tá cansado de ver clubes italianos se arrastando com orçamento de feira livre. Vai ser lindo. 🙌

João Pedro Ferreira
João Pedro Ferreira
dezembro 18, 2025

É um momento histórico, mas também triste. O San Siro tem alma. Mas a alma não paga contas. Se o novo estádio traz sustentabilidade e modernidade, talvez seja o caminho mais justo. A gente não precisa destruir a memória, só transformá-la.

Afonso Pereira
Afonso Pereira
dezembro 20, 2025

Essa transação é um exemplo clássico de financialization do futebol. A UEFA já impôs padrões de compliance que os estádios antigos não conseguem atender, e os fundos de private equity estão aproveitando essa lacuna regulatória para monetizar a emoção dos torcedores. O San Siro virou um ativo de capital de risco. O que antes era um templo agora é um REIT com ingressos premium. E aí? O torcedor médio vai pagar R$ 800 por uma arquibancada de plástico? Não me venha com essa de 'experiência imersiva' - isso é gíria corporativa pra dizer que vão te cobrar mais por um refrigerante. 🤡

Caio Pierrot
Caio Pierrot
dezembro 20, 2025

Isso é o que o futebol italiano precisava há 20 anos. Juventus e Roma já tinham feito, e a gente ficou pra trás. Agora os dois maiores clubes de Milão estão indo juntos, com capital estrangeiro inteligente, e isso vai elevar o nível de toda a Serie A. Não é só um estádio, é um sinal de que o país ainda pode competir. Vamos apoiar, não criticar. 💪

Jailma Jácome
Jailma Jácome
dezembro 22, 2025

Eu sempre sonhei em ver um jogo no San Siro... mas agora que vai mudar... eu sinto que algo que era meu vai sumir. Não é só o lugar, é a história que ele guarda. As risadas, os gritos, os abraços depois de um gol. Será que o novo vai sentir igual? Talvez não. Mas talvez... talvez a gente possa levar a alma do velho pra dentro do novo. Só não quero que esqueçam. 🌿

Iara Almeida
Iara Almeida
dezembro 22, 2025

Se o novo estádio ajuda o clube a crescer e manter jogadores de qualidade, então é o caminho certo. O passado é lindo, mas o futuro é o que alimenta os sonhos das crianças. Vamos celebrar, não chorar.

Paulo Cesar Santos
Paulo Cesar Santos
dezembro 22, 2025

Essa porra do San Siro tá tão velha que até o gramado já pediu demissão. Tinha um banco quebrado em 1998 e ainda tá lá, como se fosse um monumento à negligência. Agora eles vão botar um teto que não vaza, banheiros que não cheiram a medo e Wi-Fi que não morre no segundo tempo? Meu Deus, isso é o que chamam de 'progresso'? Eu tô chorando de felicidade, mano. 😭

Anelisy Lima
Anelisy Lima
dezembro 24, 2025

Claro, vão demoler. Sempre fazem isso. Primeiro prometem preservar, depois esquecem. E o pior? O novo vai ser bonito, mas vai ser frio. Como um shopping. E os torcedores? Vão virar clientes. Tá tudo bem. Só não me peça pra sentir orgulho disso.

Diego Almeida
Diego Almeida
dezembro 24, 2025

EU AMO ISSO. 🤩 O San Siro tá tão desgastado que até os gatos vagabundos já mudaram de bairro. Agora vai ter um estádio que parece saído de um filme da Marvel, com teto fixo, Wi-Fi, e até um café gourmet pra torcedor que não quer mais comer pão com mortadela no corredor. E os fundos americanos? Melhor que os políticos italianos, que só pensam em tirar 10% de tudo. Vai ser lindo. Vai ser moderno. Vai ser o futuro. 💥

Vinícius Carvalho
Vinícius Carvalho
dezembro 25, 2025

Essa é a energia que o futebol brasileiro deveria ter. Parabéns aos clubes, aos investidores, à cidade. Vocês estão mostrando que é possível evoluir sem perder a essência. Vamos torcer juntos!

Rejane Araújo
Rejane Araújo
dezembro 26, 2025

Esse momento vai ser marcado em livros de história. O San Siro não vai morrer - ele vai se transformar. E a preservação de uma seção da arquibancada? Isso é respeito. Isso é amor. 🙏✨

agnaldo ferreira
agnaldo ferreira
dezembro 27, 2025

É imperativo destacar que a estruturação financeira do projeto, sob a supervisão de instituições de crédito de primeira linha, demonstra uma governança corporativa exemplar. A integração de capitais internacionais com a identidade local representa um paradigma de desenvolvimento esportivo sustentável. A preservação arquitetônica, mesmo que parcial, evidencia um compromisso ético com o patrimônio histórico. Este é um marco civilizatório.

pedro henrique
pedro henrique
dezembro 28, 2025

Claro que vão demoler. Mas quem garante que o novo não vai virar um shopping com bola? E se o preço do ingresso for R$ 1.500? E se o clássico for só no TV paga? E se o novo estádio tiver mais câmeras de segurança que torcedores? Isso não é progresso, é controle. E o povo? O povo vai pagar o pato, como sempre.

Gilvan Amorim
Gilvan Amorim
dezembro 28, 2025

Eu nasci perto do San Siro. Meu pai me levou lá quando eu tinha 5 anos. Eu chorei quando o Maldini se aposentou. Eu gritava junto com todos quando o Ibrahimović marcava. O novo vai ser bom, mas o velho... o velho era vivo. Ele tinha fumaça, tinha barulho, tinha sujeira. Ele não era perfeito. Mas era verdadeiro. E isso não tem preço.

Bruna Cristina Frederico
Bruna Cristina Frederico
dezembro 30, 2025

Essa é a melhor notícia que o futebol italiano recebeu em décadas. O San Siro merecia um novo capítulo, e agora ele terá. Parabéns a todos os envolvidos. Um projeto bem feito, bem planejado e bem executado.

Flávia França
Flávia França
dezembro 30, 2025

Claro, agora vão botar um estádio de luxo, mas quem vai pagar? Os torcedores? Os pobres? Eles vão transformar o San Siro num museu de cartão de crédito. E o pior? O novo vai ser tão perfeito que ninguém vai se importar com o que aconteceu antes. E a alma? A alma vai ser vendida como NFT. 💀

Alexandre Santos Salvador/Ba
Alexandre Santos Salvador/Ba
dezembro 30, 2025

Investidores americanos comprando nosso patrimônio? Isso é colonialismo disfarçado de esporte. O San Siro é italiano, não um parque de diversões de Wall Street. Eles vão tirar tudo, até a última pedra, e depois dizer que foi 'necessário'. Mas eu sei: isso é só o começo. Amanhã vão querer vender a bandeira da Itália pra o Google.

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